Nova geração de caminhões usa tecnologia para antecipar riscos
Câmeras, radares, sensores e inteligência artificial ampliam o monitoramento da composição e podem ajudar a prevenir colisões e atropelamentos
A segurança dos veículos pesados está entrando em uma nova fase, na qual o próprio caminhão passa a identificar situações de perigo e, em alguns casos, agir antes do motorista. Sistemas em desenvolvimento conseguem reconhecer pedestres, ciclistas e obstáculos, monitorar pontos cegos e até acionar os freios diante do risco de colisão.
A novidade é que esses recursos avançam também sobre a carreta, ampliando a proteção em composições longas. Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade patronal que reúne mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero quilômetro em todo o país, a evolução pode reforçar a prevenção de acidentes.
“Quem está ao volante de uma cegonha precisa administrar o tempo todo as dimensões da composição e tudo o que acontece ao redor. Se a tecnologia identifica um risco antes que ele esteja visível para o motorista, ganhamos segundos preciosos para evitar um acidente”, afirma o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva, conhecido como Boizinho.
Caminhão e carreta conectados
Uma das soluções apresentadas pela ZF durante o Commercial Vehicle Technology Day, na Alemanha, conecta eletronicamente o cavalo mecânico ao implemento. Câmeras e radares instalados na carreta enviam informações à central do caminhão e ajudam a identificar pedestres, ciclistas, motociclistas, veículos e obstáculos.
Em uma conversão, por exemplo, o sistema pode detectar alguém no ponto cego e, se houver risco de colisão, acionar os freios. Outro recurso monitora a área à frente antes da partida. Há ainda equipamentos que acompanham sinais de fadiga, sonolência ou distração do condutor e microfones capazes de reconhecer sirenes de veículos de emergência.
“Não se trata de substituir o motorista, mas de dar a ele uma informação que talvez não tivesse naquele instante. Na estrada, alguns segundos fazem diferença. Antecipar um risco pode evitar uma ocorrência grave”, afirma Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg.
Segundo a ZF, parte dessas tecnologias poderá chegar aos caminhões nos próximos dois anos. Para os cegonheiros, os novos recursos podem aliar a experiência de quem está ao volante à capacidade de identificar situações de perigo com antecedência.
Foto: IA

