Escolas cívico-militares de Tarcísio começam sem uniforme e com erros ortográficos
Após um longo atraso e discussões judiciais, as escolas cívico-militares do governo estadual de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas, finalmente iniciaram as atividades. Mas, com alguns problemas.
As 100 unidades do modelo ainda não receberam os uniformes escolares, cuja compra não foi finalizada pelo governo de São Paulo. O que, segundo a secretaria da Educação, não atrapalha as atividades dos alunos. Todas as escolas seguirão as diretrizes do Currículo Paulista e a gestão escolar terá apoio de monitores e monitores-chefes na segurança, na disciplina, no acolhimento e na promoção de valores cívicos.
Mas, a falta de uniforme não é o principal problema das escolas cívico-militares. O programa foi instituído pela Lei Complementar nº 1.398/2024, com previsão de gastos de R$ 7,2 milhões para pagamento de policiais militares.
Em Caçapava, interior paulista, durante a monitoria realizada por policiais militares aposentados na unidade, palavras como “descançar” e “continêcia” foram escritas de forma incorreta no quadro. Segundo matéria publicada pelo protal G1, estes monitores monitores passaram a ensinar a ordem unida – um conjunto de movimentos padronizados, comuns na Polícia Militar. Mas o que era escrito no quadro, para os estudantes, tinha erros. Primeiro, descansar, com “ç”, quando o correto é com “s” na última sílaba. E continência, sem a letra “n” antes da letra “c”.
Descansar e continência são as grafias corretas destas palavras, segundo a Academia Brasileira de Letras.
O flagra dos erros foi captado pela reportagem da TV Vanguarda, que estava na sala de aula. E, depois de algum tempo, o tenente Jeferson, que escrevia no quadro, foi até a porta e alguém conversou com ele. Ele olhou o quadro, voltou e foi até uma mulher, dentro da sala. Os dois conversaram e ele arrumou a palavra descansar. Em seguida, voltou até a mulher e corrigiu continência.
De acordo com a secretaria da Educação, todos os monitores do Programa Escola Cívico-Militar serão submetidos a processos semestrais de avaliação de desempenho para verificar adaptação e permanência em cada unidade escolar.
A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) informou, por meio de nota, que “repudia a implantação de escolas cívico-militares em São Paulo” e que considera o modelo “inconstitucional e autoritário”. A entidade também critica o uso de verbas da Educação e a contratação de militares aposentados e que a medida foi imposta sem ouvir a comunidade escolar.
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