II Fórum de Economia Circular apresenta em SP metas mundiais de reciclagem de resíduos
Movimento Circular realiza o evento pelo segundo ano consecutivo e lidera o Eixo de Economia Circular da Semana do Clima de São Paulo, na rota preparatória para a COP31
O II Fórum de Economia Circular, que acontece em São Paulo entre os dias 3 e 5 de agosto, deverá consolidar propostas para ampliar a reciclagem e acelerar a transição para uma economia circular que serão levadas às discussões da COP31, conferência climática da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para ocorrer entre 9 e 20 de novembro, em Antalya, na Turquia.
As principais propostas levadas pela ONU serão três objetivos considerados estratégicos para a agenda climática mundial: elevar a taxa global do uso de eletricidade como energia limpa (no lugar de combustíveis fósseis) de cerca de 20% para 35% até 2035; reduzir pela metade o crescimento da geração de resíduos no mesmo período; e aumentar a taxa global de uso de materiais circulares para pelo menos 15% até 2035.
A segunda edição do fórum é organizada pelo Movimento Circular, think tank brasileiro que reúne mais de 90 especialistas e empresas na América Latina em projetos de educação e conscientização sobre a importância do reaproveitamento de resíduos para a reversão da crise ambiental. Além de realizar o Fórum, o Movimento Circular lidera o Eixo de Economia Circular da São Paulo Climate Week, contribuindo para a mobilização, articulação e fortalecimento dessa agenda dentro da programação oficial do evento.
“A discussão sobre economia circular já superou a fase do diagnóstico e entrou definitivamente na agenda da implementação”, afirma Vinicius Saraceni, diretor executivo do Movimento Circular. “Ao reunir lideranças de diversos setores que já estão implementando essas soluções na prática, o Fórum cria um espaço para antecipar discussões, compartilhar experiências e fortalecer metas e propostas que podem contribuir para os debates internacionais que antecedem a COP31.”
As metas serão apresentadas na abertura do evento por Carlos Silva Filho, único brasileiro integrante do Conselho Consultivo de Personalidades Eminentes sobre Lixo Zero, board da Secretaria-Geral da ONU para resíduos sólidos e economia circular.
“A pauta dos resíduos sólidos, do desperdício zero e da economia circular já foi incluída como prioridade da COP 31, agora serão definidas as metas que servirão de guia para orientar as ações”, Silva explica. “Não podemos mais esperar para aumentar os índices de circularidade na economia”
Como evento âncora do Eixo de Economia Circular da São Paulo Climate Week, o II Fórum de Economia Circular se consolida como o principal ponto de encontro do tema durante a semana do clima. Além da presença do Conselho Consultivo, o encontro reunirá mais de 50 lideranças nacionais e internacionais, entre especialistas, representantes do setor público, empresas, academia e organismos internacionais em uma série de painéis, espaços para networking, visitas técnicas e experiências práticas, em três dias de atividades presenciais.
Os eventos climáticos e o tamanho do problema
O peso do evento se dá pelos números brasileiros e mundiais de reaproveitamento de alimentos e resíduos sólidos. No mundo, somente 6,8% de tudo o que é produzido pelas indústrias volta para a cadeia produtiva, o que gera um impacto de 25,4 trilhões de euros (R$ 148 trilhões), um terço do PIB mundial. “No Brasil, o cenário é ainda pior, porque somente chegamos a 3% de reciclagem.”
O reaproveitamento está diretamente ligado às mudanças climáticas. Segundo os dados mais aceitos por especialistas, o aumento da reciclagem corresponde a 45% do esforço necessário para reduzir as emissões de gases do efeito estufa e mitigar eventos climáticos extremos, como o vendaval que deixou cinco mortos em São Paulo e Rio de Janeiro no último dia 29.
“Ou o mundo substitui a economia linear, que é aquela que desperdiça e polui o meio ambiente, por uma economia circular e sustentável, ou continuaremos a viver momentos dramáticos, como os ventos dessa semana e o calor extremo na Europa”, alerta Saraceni.
Por que a economia circular precisa estar no centro da agenda climática
A transição para fontes de energia limpa endereça cerca de 55% das emissões globais de gases de efeito estufa. A outra parte, aproximadamente 45%, vem de como o mundo produz, usa e descarta produtos e alimentos. É o que aponta o estudo Completing the Picture, da Ellen MacArthur Foundation: essa fração das emissões só é resolvida com economia circular.
O dado mais recente reforça a urgência. Segundo o relatório Global Resources Outlook 2024, do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente / UNEP) e do International Resource Panel, a extração e o processamento de materiais já respondem por mais de 55% das emissões globais. Em outras palavras, o que se faz com os materiais decide boa parte do resultado climático das próximas décadas.
“A transição energética resolve pouco mais da metade do problema. A outra metade, quase metade das emissões, está em como produzimos, usamos e descartamos materiais. É exatamente aí que a economia circular atua, e é por isso que ela precisa ocupar o centro da agenda do clima”, afirma Vinicius Saraceni, diretor executivo do Movimento Circular.
O que acontece no Fórum
Mais do que um congresso, o II Fórum de Economia Circular foi concebido como um espaço para transformar discussões em ações concretas. Ao longo da programação, representantes do setor público, empresas, academia, organismos internacionais e sociedade civil participarão de debates, experiências práticas e agendas de articulação voltadas à implementação de soluções circulares.
Confira a programação completa
Na condição de organização líder do Eixo de Economia Circular da São Paulo Climate Week 2026, o Movimento Circular concentra alguns dos principais debates sobre circularidade da semana climática e conecta quem formula políticas públicas, financia projetos, desenvolve tecnologias e implementa soluções capazes de reduzir emissões e aumentar a eficiência no uso de recursos.
A abertura acontece no dia 3 de agosto, no Teatro YouTube, na Avenida Paulista, reunindo lideranças para discutir o papel da economia circular na agenda climática global, as lições da COP30 e os caminhos rumo à COP31. A programação também aborda competitividade, inovação, financiamento climático e o papel da circularidade na descarbonização da economia.
No dia 4 de agosto, as atividades seguem na sede da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL), com debates sobre políticas públicas, mobilidade circular, logística reversa, educação para a circularidade, inovação em materiais e embalagens, protagonismo feminino, consumo circular e novos modelos de negócio.
O conteúdo está organizado em cinco trilhas temáticas: Políticas Públicas, Mobilidade Circular, Consumo Circular, Elas na Circularidade e Moda Circular. O Fórum também contará com apresentação de cases selecionados em chamada nacional que recebeu 72 inscrições de 20 estados e do Distrito Federal, além de encontros de relacionamento e a realização do workshop mão na massa Circular Experience na Coopercaps para convidados.
A programação inclui ainda visitas técnicas a iniciativas que já colocam a economia circular em prática, como a Usina de Bioenergia da USP, a Unidade de Valorização Sustentável (UVS) Caieiras, operada pela Solví, e outras experiências voltadas à recuperação de materiais, gestão de resíduos e inovação circular. O objetivo é aproximar o debate das soluções que já estão em operação e demonstrar, na prática, como a circularidade gera valor econômico, social e ambiental.
A primeira edição do Fórum, realizada em 2025, reuniu mais de 500 lideranças empresariais, representantes do poder público, pesquisadores e organizações da sociedade civil. Em 2026, a expectativa é ampliar esse alcance e consolidar o encontro como o principal ambiente de articulação da economia circular durante a São Paulo Climate Week.
Evento será carbono neutro
O compromisso ambiental do II Fórum de Economia Circular não ficará restrito aos debates. Todas as atividades da programação terão suas emissões de carbono neutralizadas por meio de uma parceria entre o Movimento Circular e a Solví, uma das maiores empresas da América Latina em soluções ambientais e pioneira mundial na geração de créditos de carbono provenientes de aterros sanitários. Desde 2004, a companhia já evitou a emissão de mais de 30 milhões de toneladas de carbono equivalente e desenvolve projetos de compensação para grandes eventos nacionais e internacionais.
A iniciativa também envolverá diretamente o público. Durante o Fórum, os participantes poderão calcular a pegada de carbono gerada pelo deslocamento até o evento e compensar essas emissões por meio de créditos certificados, que apoiam projetos ambientais e sociais voltados à conservação da biodiversidade, geração de renda, qualificação profissional e apoio a comunidades em situação de vulnerabilidade.
“Não faria sentido reunir centenas de pessoas para discutir sustentabilidade sem colocar esses princípios em prática”, diz Saraceni. “Queremos mostrar que a economia circular deixa de ser um conceito quando é incorporada às decisões do dia a dia.”
Sobre o Movimento Circular
O Movimento Circular é um think tank brasileiro e a maior iniciativa aberta de educação em economia circular da América Latina. Reúne mais de 90 organizações — entre empresas, universidades, entidades da sociedade civil, especialistas e organismos parceiros — com o propósito de acelerar a transição para uma economia regenerativa, de baixo carbono e baseada no uso eficiente dos recursos naturais.
Por meio de programas de educação, produção de conhecimento, articulação institucional e promoção de eventos nacionais e internacionais, o Movimento Circular já atingiu 7 milhões pessoas, seja na formação de lideranças, na disseminação de boas práticas e no desenvolvimento de projetos capazes de ampliar o reaproveitamento de materiais, reduzir emissões de gases de efeito estufa e impulsionar novos modelos de desenvolvimento sustentável.
SERVIÇO
II Fórum de Economia Circular
Abertura: 03 de agosto· 9h
Local: Teatro YouTube – Av. Paulista, 2073 – 3º andar
Foto: IA

