Homem com H: A personalidade além da biografia
Liderando a lista de mais assistidos da Netflix, Homem com H, filme que conta da vida do artista brasileiro Ney Matogrosso, mostra que ele é sim o verdadeiro homem com H, e maiúsculo.
Ney, como apresentando no filme, é aquela pessoa que todos gostaríamos de ser, mas não conseguimos, principalmente por pensar no julgamento dedos outros. Ele conseguiu superar preconceitos, medos, e impor suas vontades e desejos. E isso tudo de uma maneira peculiar.
Da sexualidade que não entendia até os romances tórridos expostos no longa, o filme conta como o garoto enfrentava seu pai (militar) apenas no olhar ou na falta de choro. Uma relação difícil, mas que venceu. Depois, a passagem pela aeronáutica, onde buscou refúgio ao sair de casa. Peça do destino ou uma maneira de mostrar ao seu pai que poderia estar ali também ou em qualquer outro lugar.
Nas artes, na música ao seu encontro com o Cazuza, seu primeiro amor, como costuma dizer. O contato com a Aids e a surpresa por não ter se contaminado, já que fez as mesmas coisas que os amigos e amores que se foram pela doença.
Jesuíta Barbosa incorporou Ney, com uma semelhança física e nos movimentos e até no modo manso de falar, que chega a arrepiar. Costumo dizer que criar um personagem é mais fácil do que interpretar uma pessoa que já existe e que é acompanhada por multidões, mas ele se superou e conseguiu. O Ator mostra que o mais forte em Ney era sua personalidade, sua vontade de fazer o que quisesse, sem regras ou ordens.
Uma cena do de Homem com H me lembrou Jim Morrison, o intenso e icônico vocalista do The Doors, em sua passagem por uma emissora de TV norte-americana. Ao Ney, ainda nos Secos e Molhados, foi pedido para não olhar para a câmera enquanto cantava. A Jim, foi dito que excluísse de uma palavra da música, lógico e como era de se esperar, que a resposta foi uma provocação maior ainda. Provocação que Ney, delicadamente, fez tempos depois, ao atender censores da ditadura militar após um show em Recife. Mostrando que ele era o artista e que estava bem acima do regime militar e de preconceitos existentes naquela época (e agora também).
Se mantendo longe da política e do regime militar, Ney Matogrosso conseguiu também se manter em evidência em um dos períodos mais conturbados do país, sem deixar sua arte e sua personalidade de fora. Ele sempre foi o Ney, sem censura, sem regras, sem medo.
Hoje, aos quase 84 anos (01 de agosto), o cantor é um dos maiores do Brasil. Assim como ele, o filme dirigido por Esmir Filho, prova que o cinema nacional está mais forte do que nunca e a estrada será longa. O longa é para fãs e para aqueles que querem conhecer a vida e a obra de uma artista que ainda hoje lota estádios e leva jovens e pessoas de todas as idades aos seus shows.
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