Economia

Concorrência desleal prejudica indústria e comércio de varejo do setor óptico

Ambra Nobre Sinkpc, diretora Executiva da Abióptica, alerta que o fim da tributação de remessas internacionais de pequeno valor é uma medida que trará prejuízo e extinção de postos de trabalho em toda a cadeia do setor no Brasil

A Abióptica ( Associação Brasileira da Indústria Óptica) manifesta sua preocupação com o fim da tributação das remessas internacionais de pequeno valor e com os impactos que essa medida pode provocar sobre o varejo, a indústria e a geração de empregos no Brasil.

Não se trata de ser contra as importações ou contra a liberdade de escolha do consumidor. Trata-se de defender condições justas de concorrência.

As empresas brasileiras geram empregos, investem no País, recolhem impostos, cumprem obrigações trabalhistas, sanitárias, regulatórias e ambientais. A atividade é responsável ainda por uma extensa cadeia de fornecedores, distribuidores e prestadores de serviços.

Não é razoável exigir todo esse conjunto de responsabilidades das empresas instaladas no Brasil e, ao mesmo tempo, permitir que produtos comercializados diretamente do exterior cheguem ao consumidor brasileiro em condições tributárias significativamente mais favoráveis.

Os números recentes demonstram a dimensão do problema. O forte crescimento das remessas internacionais após o fim da tributação evidencia que a diferença de tratamento tributário influencia diretamente a decisão de compra e amplia a desigualdade competitiva entre as empresas que operam no mercado nacional e as plataformas internacionais.

Para o setor óptico, essa discussão é especialmente relevante.

Somos uma cadeia composta por indústria, distribuidores, laboratórios, varejo óptico e milhares de empresas. O setor emprega profissionais, investe em tecnologia, capacitação, qualidade e atendimento ao consumidor em todas as regiões do Brasil.

Quando uma empresa brasileira perde competitividade não perde apenas uma venda. Perdemos circulação de recursos dentro do País, capacidade de investimento, geração de empregos e fortalecimento da economia nacional. Sofre o País como um todo, do trabalhador ao empresário.

Defendemos um mercado aberto, moderno e competitivo. Mas competição pressupõe regras equivalentes para quem disputa o mesmo consumidor.

Por isso, a Abióptica defende a manutenção de uma tributação que assegure tratamento isonômico entre produtos comercializados no Brasil e aqueles adquiridos diretamente em plataformas internacionais.

Se houver desoneração, que ela seja discutida também para as empresas brasileiras. Se houver tributação, que as condições sejam equilibradas para todos.

O que não podemos aceitar é que quem produz, emprega, investe e paga impostos no Brasil seja colocado em desvantagem dentro do próprio mercado brasileiro.

Essa discussão vai muito além de uma taxa. Estamos falando de competitividade, empregos, investimentos, segurança jurídica e desenvolvimento econômico.

A Abióptica continuará acompanhando o tema e atuando institucionalmente para defender condições equilibradas de concorrência e a sustentabilidade de toda a cadeia óptica brasileira.

Concorrência é saudável. Concorrência desigual, não.

Abióptica – em defesa do setor óptico brasileiro, da competitividade e de um ambiente de negócios justo para todos.

Foto: Reprodução

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