Cegonheiros devem voltar ao melhor momento em 2027
Responsáveis por ‘transportar o sonho’ da maior parte dos brasileiros, os cegonheiros, que tiveram em 2014 o melhor ano da história, com 2,5 milhões de veículos transportados, caminham para a retomada do índice, que deve ser atingido em 2027.
Como a maior parte da economia brasileira, os cegonheiros também foram atingidos pela crise nos anos seguintes e até conseguiram um breve respiro em 2019, mas que logo foi derrubado em 2020 com a pandemia. A expectativa do Senaceg (Sindicato Nacional dos Cegonheiros ), é de que em 2027 a categoria supere o melhor número e atinja a marca 2,8 milhões de veículos transportados.
Fundado em 1979, o Sindicato dos Cegonheiros conta hoje com 3.783 associados. São autônomos e empresários de todos os tamanhos que prestam serviços às empresas de logística de transporte de veículos. O ABC, principalmente São Bernardo, por contar com as principais montadoras do país, sempre foi o destaque da categoria. Mas, com a chegada de novas indústrias para outras regiões do país, como Nordeste e Sul, ampliou a área de trabalho dos cegonheiros. Mas, o presidente da entidade, José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, faz questão de dizer que o ABC ainda é o diferencial da categoria, mesmo tendo perdido a Ford e a Toyota nos últimos anos.
Após ter passado por momentos preocupantes, como todo o setor automotivo no Brasil, os cegonheiros comemoram o início da retomada, ainda tímida, mas consistente, como diz o vice-presidente da entidade, Douglas Santos Silva. “Em 2014, o crescimento foi muito rápido, mas de forma irregular, aconteceu muito rápido, por isso não foi sustentado. Hoje não, está ocorrendo de forma lenta mas consistente, o que deve fazer com que se estabilize em patamares melhores”, disse Silva.
Porém, mesmo com um cenário positivo estimado para os próximos anos, ainda há algumas arestas que poderiam contribuir para uma melhora mais rápida e que possa favorecer não apenas a categoria, como toda a economia do Brasil. “As taxas de juros estão altas, ainda afastando as pessoas de um carro novo. Antes, era fácil comprar, o parcelamento chegava a 60 vezes e com taxas bem mais atrativas. Hoje as prestações estão altas”,apontou o vice-presidente.
Outro fator que também dificulta a vida dos cegonheiros é a falta de uma linha de crédito para a troca dos caminhões. “Havia o Finame, um financiamento especial, com taxas que eram de 0,68% ao mês. Hoje, a mais baixa é de 1,29%”, destacou Boizinho. E esta linha é a oferecida pela cooperativa da categoria, se for em bancos é ainda maior.
Na contramão dos contratempos econômicos, o Sinaceg busca estar ao lado do cegonheiro, principalmente na hora de economizar. Além da cooperativa de crédito, há uma cooperativa de consumo, que reduz o valor dos componentes mecânicos dos caminhões, reduzindo o custo da manutenção.
Além da redução das taxas de juros, o setor aponta que a renovação de frota, um projeto que é discutido há mais de 30 anos, poderia ser um fator para melhorar a categoria e a economia, principalmente a movida pelo setor automotivo. “Ainda não atingimos o potencial total, ainda há pessoal parado”, ressaltou Boizinho.
Cegonheiros
Para quem não sabe, o nome da categoria, cegonheiros, vem de cegonha mesmo. São aqueles que levam o ‘bebê’, no caso o carro que sempre foi um sonho de consumo de praticamente todos os brasileiros. Por isso, Boizinho destaca que há todo um cuidado e carinho da categoria, desde o carregamento de cada um dos veículos até a chegada nas concessionárias, para serem entregues ao pais, ops, proprietários. Eles são as cegonhas os futuros donos de um zero Km.

