Caminhoneiros negociam com Marinho ficar fora da nova legislação sobre redução da jornada de trabalho
Entidades defendem que eventuais mudanças para as categorias de transporte de cargas sejam definidas por negociação coletiva
Lideranças do transporte rodoviário de cargas se reuniram nesta quinta-feira, 02 de julho, com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, para discutir os impactos da proposta de redução da jornada sobre a categoria. Participaram do encontro o presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, entidade que reúne mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero quilômetro em todo o Brasil, e o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno.
Durante a reunião, foi discutida a possibilidade de o transporte rodoviário de cargas ficar de fora de uma eventual legislação geral sobre jornada de trabalho. A proposta é manter o tratamento já previsto para a atividade, permitindo que futuras adequações sejam negociadas diretamente entre trabalhadores e empregadores por meio das convenções coletivas.
O entendimento abrange todo o transporte rodoviário de cargas, incluindo os cegonheiros. As entidades destacaram que a atividade possui regras próprias sobre tempo de direção, períodos obrigatórios de descanso e jornada, construídas para atender às características da profissão e contribuir para a segurança nas rodovias.
Para Boizinho, preservar esse modelo significa reconhecer as especificidades de uma atividade essencial para a economia brasileira. “Não buscamos um tratamento privilegiado, mas o reconhecimento de que nossa atividade possui características próprias, disciplinadas por uma legislação construída ao longo dos anos. O diálogo com o ministro foi muito positivo e reforçou a importância de que qualquer aperfeiçoamento seja construído por meio da negociação coletiva, respeitando a realidade de cada segmento e garantindo previsibilidade para trabalhadores, transportadores e toda a cadeia logística”, afirmou.

