Celulares fora das salas de aula ajudam no combate ao olho seco digital
Com o objetivo de melhorar a concentração e a saúde mental dos alunos da educação básica, desde 2025, a Lei nº 15.100/2025 também funciona como uma importante aliada contra uma anomalia cada vez mais presente entre o público jovem: a síndrome do olho seco causada pela exposição excessiva a telas de celulares e tablets. Segundo o oftalmologista Gustavo Gubert, ficando em média quatro por dia longe da tela de celular, é possível estimar redução de até 30% dos sintomas relacionados ao olho seco digital entre adolescentes e jovens suscetíveis à doença.
“Importante destacar que essa estimativa se refere principalmente a sintomas como ardor, irritação e visão embaçada, e não necessariamente à eliminação completa da doença, já que outros fatores também influenciam como ambiente, ar-condicionado, alergias e tempo total de tela fora da escola”, informa o especialista.
A síndrome do olho seco caracteriza-se pela baixa produção de lágrimas, o que impacta na qualidade da lubrificação dos olhos. Ardência, queimação e sensação de areia nos olhos são alguns dos sintomas. Nos casos mais graves, o paciente pode ficar impossibilitado de fechar os olhos mesmo durante o sono.
Aumento de casos entre jovens
Antes associada a fatores do envelhecimento e em especial entre as mulheres como consequência da menopausa, a síndrome do olho seco tem apresentado mudanças nos últimos anos e apontado para causas de estilo de vida. Segundo Gubert, nos últimos 10 ou 15 anos, diversos estudos epidemiológicos têm mostrado um crescimento significativo da doença em faixas etárias mais jovens.
De alguns estudos destaca-se a prevalência de sintomas em estudantes e jovens adultos, variando entre 20% e 40%, dependendo do tempo de uso de telas. Associação direta entre uso de smartphones por mais de 4 horas/dia e maior risco de olho seco. Segundo o oftalmologista, o aumento tornou-se mais evidente a partir da década de 2010, com intensificação após o período da pandemia, quando o tempo de tela aumentou significativamente por causa do ensino remoto e do lazer digital.
A boa notícia é que a ciência tem evoluído nos tratamentos e, atualmente, colírio biológico feito a partir do soro extraído do sangue do próprio paciente, pode trazer não apenas qualidade de vida mas a cura da doença. A tecnologia brasileira foi desenvolvida por parceria público privada entre o Hemocentro São Lucas, com unidade em São Bernardo do Campo, e a Unifesp, resultando no Sorotears®
Olho seco digital
“Hoje, o chamado olho seco digital já é considerado uma condição comum em adolescentes e jovens adultos”, afirma Gubert. Segundo ele, algumas medidas simples reduzem significativamente o risco de desenvolver a doença:
- Regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhar para longe (cerca de 6 metros) por 20 segundos.
- Evitar uso contínuo por períodos superiores a 1 ou 2 horas sem pausas.
- Manter o celular ligeiramente abaixo da linha dos olhos, reduzindo a abertura palpebral e a evaporação.
- Piscar voluntariamente com mais frequência durante o uso.
- Evitar uso em ambientes com ar-condicionado direto ou ventiladores.
- Limitar o tempo recreativo total de telas, especialmente em crianças e adolescentes.
“A redução do tempo de tela em ambientes escolares é uma medida positiva e pode contribuir de forma relevante para diminuir sintomas oculares na população jovem. No entanto, o maior impacto depende também de mudanças de hábitos fora da escola, já que a maior parte do tempo de exposição às telas ocorre no período domiciliar”, diz o especialista.
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