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Reforma Tributária vai exigir ainda mais da governança das empresas

 

Por João Roberto Benites

A Reforma Tributária inaugura um novo ciclo de exigência para o empresariado brasileiro, que precisará estar ainda mais atento às questões de gestão, estrutura patrimonial e eficiência tributária. O redesenho do sistema fiscal, aliado ao fortalecimento dos mecanismos de fiscalização e controle, impõe maior rigor na condução dos negócios e na forma como o patrimônio é organizado. Nesse ambiente, planejamento sucessório e governança passam a requerer mais atenção ainda em empresas de todos os portes, incluindo, de forma especial, as de controle familiar.

O aumento da tributação sobre a pessoa física e a ampliação da rastreabilidade dos ativos têm levado empresários e famílias a revisitar suas estruturas patrimoniais. A reorganização por meio de holdings, sociedades operacionais e modelos mais sofisticados de governança deixou de ser um privilégio restrito a grandes grupos econômicos. Tornou-se uma necessidade concreta para quem busca previsibilidade jurídica, eficiência operacional e proteção do patrimônio no longo prazo. Minha atuação em conselhos consultivos e de administração tem confirmado o que já entendia ser urgente: esse tema é pauta prioritária nas reuniões de colegiado.

A concentração de ativos na pessoa física expõe o patrimônio a disputas sucessórias, fragiliza a continuidade dos negócios e limita a capacidade de adaptação a um ambiente regulatório cada vez mais complexo. A governança bem desenhada estabelece critérios objetivos de decisão, separa papéis, reduz conflitos e fortalece a instituição acima das vontades individuais.

Levantamento global da consultoria Deloitte aponta que empresas familiares, incluindo mais de uma centena no Brasil, aponta que esses grupos estão se profissionalizando, ampliando parcerias estratégicas e projetando crescimento robusto no longo prazo. O estudo é o primeiro da série Defining the Family Business e entrevistou 1.587 empresas familiares no mundo, incluindo 101 no Brasil, entre março e junho de 2025. O faturamento médio dessas companhias supera US$ 2,8 bilhões. A projeção aponta, ainda,  crescimento robusto no longo prazo. Globalmente, as empresas familiares representam 22% das companhias com receita anual superior a US$ 100 milhões. A expectativa é de alta de 84% na década até 2030, atingindo US$ 29 trilhões, superando o crescimento estimado de 59% para não familiares. O número de empresas familiares deve crescer 22%.

A Reforma Tributária chega, portanto, para atuar como um catalisador de uma transformação que já era necessária. Ela acelera decisões, força a revisão de estruturas e expõe a fragilidade de modelos excessivamente centrados na figura do fundador. Empresas que se organizarem agora estarão mais bem posicionadas para preservar patrimônio, garantir continuidade e sustentar crescimento. As que resistirem à mudança enfrentarão um ambiente cada vez menos tolerante à improvisação.

 

João Roberto Benites 

Preside Conselhos de Administração de empresas familiares. Atua como Conselheiro Consultivo da Grant Thornton Brasil e do Hospital das Clínicas (SP). É conselheiro  certificado pelo IBGC, especialista em expansão estratégica de empresas.

 

Foto: Divulgação

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