Prefeitura de S.Bernardo gasta R$ 13 milhões em publicidade no primeiro semestre
Enquanto munícipes reclamam, e com razão, da falta de medicamentos e médicos, de escolas municipais sem papel higiênico e professores que recebem R$ 100 de abono por curso feito, a prefeitura de São Bernardo, gerida pelo prefeito Marcelo Lima, já gastou mais de R$ 13 milhões em publicidade. Quantia superior a todas as demais cidades do ABC.
Os dados podem ser conferidos no Portal da Transparência. Três agências, licitadas ainda durante a gestão Orlando Morando, continuam na atual administração, a Puxe Comunicação, a Benjamim Comunicação e a Momentum, do grupo MWork. Ao todo, o valor gasto pela administração Marcelo Lima para divulgas suas ações foi de R$ 13.039.152,23. Santo André gastou R$ 1.981.171,50, São Caetano aplicou R$ 4.646.993,43 e Mauá pagou até hoje, 06 de agosto, R$ 2.221.970,85. Os dados estão disponíveis no Portal da Transparência de cada cidade.
O valor não é ilegal, mas imoral, pois outros setores, como educação e saúde passam por sérios problemas.
Outra questão é que para ser contemplado com uma campanha publicitária da Prefeitura, o veículo jornalístico (tv, rádio,site, jornal ou revista) precisa estar alinhado às condições do prefeito. Segundo o secretário de comunicação, Márcio Madureira, que não é da área comunicação, mas era um assessor direto de Marcelo Lima quando foi vereador, vice-prefeito e deputado federal, quem define quais receberão as campanhas é o próprio prefeito. E a opção é para aqueles que publicam os conteúdos enviados diretamente pela Prefeitura (releases), sem questionar.
Aliás, questionar é outra coisa que a secretaria de Comunicação da Prefeitura de São Bernardo não gosta. Em eventos, alguns jornalistas pré-selecionados, fazem as perguntas. E nenhuma pode abordar problemas ou temas pertinentes à população, mas apenas o que foi pré-acordado. A prática teve início na administração Morando.
Além dos releases publicados nos veículos, o que deixa as fontes de informações iguais e sem críticas, o prefeito também opta por aqueles que publicam seus vídeos na íntegra, mesmo aqueles sem função jornalística, como um em que aparece “suadinho fazendo ginástica”. Enquanto isso, as denúncias e críticas vão para debaixo do tapete, como se a cidade fosse realmente linda de viver.
Mas, a realidade é bem diferente. Posts nas rede sociais mostram que falta até esparadrapo em UBSs e UPAs da cidade, além de médicos. Sem falar na superlotação dos equipamentos de saúde.
Em uma UBS queridinha da administração, usada de vitrine para fotos e frequentemente visitada por vereadores em busca de locais para seus vídeos, a do Baeta Neves, há constante desperdício de vacinas, que são jogadas fora. O motivo é a falta de um GCM para garantir a segurança de fios e cabos elétricos que são roubados quase diariamente. Uma ex-funcionária do local, que preferiu não se identificar com medo de represálias, disse que a situação é frequente e causa, inclusive, a suspensão do atendimento por falta de computadores. Ah, a Prefeitura sabe do problema.
E na educação? Enquanto alguns jornalistas recebem mais de R$ 40 mil mensais apenas para copiar e colar releases e publicar vídeos do prefeito se exercitando, os professores precisam fazer um curso mensal para ter uma “ajuda” de R$ 100, em um projeto de valorização dos professores.
Vejam algumas reclamações de munícipes retiradas de posts das redes sociais da Prefeitura e do prefeito (os nomes foram retirados)


Fotos: Reprodução

