Doria fará plano de vacinação estadual se CoronaVac não para o SUS

Com a presença do presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia, o governador de São Paulo, João Doria, afirmou nesta sexta-feira, 23 de outubro, que fará um plano estadual de vacinação caso o imunizante que está em desenvolvimento no Instituto Butantan contra a covid-19 não for incorporada ao SUS pelo governo federal.

Com a presença de Maia, o governador quis mostrar que tem apoio dos parlamentares no caso de uma disputa para a distribuição da vacina quando ela for aprovada. O deputado afirmou que tanto ele como os demais deputados federais irão tentar resolver o impasse por meio de conversas com o presidente Jair  Bolsonaro. Mas, deixou claro que é a favor da vacina, seja ela de qual nacionalidade for e que é fundamental imunizar a maior parte dos brasileiros.

Esta semana foi de conflitos entre Doria e o presidente sobre a compra pelo Ministério da Saúde de 46 milhões de doses da CoronaVac para a incorporação ao SUS. Bolsonaro fez o ministro Eduardo Pazuelo mudar de posição e cancelar o protocolo de acordo que havia sido fechado no dia anterior.  A vacina, segundo o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, é a que está mais adiantada nos testes.

Segundo Doria, assim que for aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ela poderá ser aplicada aos moradores do Estado de São Paulo e vendida para outros países e Estados brasileiros.  Para conseguir finalizar no prazo estimado, o Butantan ampliou os testes, com a incorporação de mais seis  centros de pesquisa.

“A vacina, que é o tema do momento, é a proteção à vida e um direito de todos os brasileiros. No caso da pandemia, a vacina é o único caminho para a retomada total da economia, do ensino presencial, de eventos de grande público, do turismo e da volta à normalidade”, afirmou o governador.

Os novos centros serão supervisionados por especialistas do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Os estudos serão executados em quatro hospitais da periferia da capital, onde a taxa de contaminação tem se mostrado maior do que nos bairros centrais. Outros dois ficarão no ABC, que já tem a Universidade Municipal de São Caetano do Sul como local de testagem.

O objetivo do Governo de São Paulo é ampliar é aumentar o número de profissionais de saúde que atuam como voluntários na pesquisa da CoronaVac. Até agora, 9.039 pessoas participam dos estudos clínicos em sete Estados.

Com os novos centros, os estudos clínicos serão ampliados para 13 mil voluntários em 22 locais de pesquisa. Nesta fase final da pesquisa, metade dos participantes recebe a dose da CoronaVac, enquanto os demais são inoculados com placebo.

Para determinar a eficácia da CoronaVac, é preciso que ao menos 61 participantes aplicados com a substância sejam contaminados pelo coronavírus. A partir desta amostragem, haverá a comparação com o total dos que receberam a vacina e, eventualmente, também tenham diagnóstico positivo de covid-19.

Se o imunizante atingir os índices necessários de eficácia e segurança, poderá ser submetido à avaliação da Anvisa para registro e posterior uso em campanhas de imunização contra o coronavírus.

A CoronaVac é uma das mais promissoras candidatas a vacina contra o coronavírus e está sendo desenvolvida no Brasil desde julho, em parceria internacional do Instituto Butantan com a biofarmacêutica Sinovac Life Science. O Butantan já tem acordo para transferência de tecnologia e aquisição de 46 milhões de doses do imunizante.

Foto: Divulgação Governo do Estado de São Paulo

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