Como conversar sobre luto com as crianças

Nesse período da pandemia é inevitável colocar as crianças em contato com perdas de pessoas da família ou de amigos. Mas, se o adulto não está preparado para o luto, como ficam as crianças?

“Para que viver se vamos morrer?”. É a partir dos 12 anos  que esse questionamento filosófico começa a martelar na mente humana. Mas como explicar o conceito da vida para uma criança, ainda por cima em um momento de pandemia, onde somos forçados a falar sobre morte todos os dias? Quando seu filho te pergunta sobre o fim da vida, a resposta deve ser exatamente aquilo em que você acredita.

Nós adultos sabemos que passar pelo luto não é uma tarefa fácil e exige muita força e coragem, principalmente porque sua função é a de nos colocar frente a frente com a realidade. Nosso amadurecimento entende que toda alma possui um ponto final no planeta Terra, e essa compreensão do fim acompanha a progressão vivida durante a infância.

De acordo com Marizane Piergentile, diretora de educação da Rede Adventista do ABCDM e Baixada Santista, o luto é desenvolvido junto com o entendimento da criança sobre a morte. “Dos 03 aos 07 anos a criança inicia sua relação de entendimento com o mundo. Geralmente, nessa idade eles possuem a ideia de que as pessoas podem voltar à vida, então quanto mais compreensível for a afirmação dos pais, mais calmaria o pequeno terá”, explica a diretora.

Dos 07 aos 09 anos a criança começa a assimilar que morrer é irreversível e apesar de compreender com facilidade que a morte é algo natural, precisa de mais explicações para absorver. “É a partir dos 10 anos que as enxurradas de perguntas sobre a vida e a morte começam a aparecer. Por isso, é necessário que os responsáveis tenham suas crenças bem fortalecidas para que as respostas sejam do mesmo nível que as dúvidas”, afirma Marizane.

As escolas também podem fazer seu papel nessa formação e, após os meses de pandemia, provavelmente isso será necessário. O Colégio Adventista atua com o Projeto Viver Bem, que tem o propósito de trabalhar competências socioemocionais a fim de auxiliar os alunos a colocarem em prática atitudes e habilidades melhores para lidar com a vida.

A escola aplica diversas atividades no desenvolvimento das competências oferecidas, possibilitando o trabalho com as emoções e os sentimentos por meio de aulas interativas como oficinas, análise do conhecimento de si e do outro, roda de conversas, momentos para desenhos e autorretrato, histórias, análise de filmes, compartilhamento de talentos, ações sociais, solidárias, voluntárias, testes de autoconhecimento, avaliação e autoavaliação das habilidades desenvolvidas.

Muitas escolas tiveram perdas de funcionários ou seus parentes, assim como alguns alunos m também perderam familiares. Nesses casos, a escola ganha mais importância ainda no acolhimento.

“O acolhimento do aluno acontece dentro da sala de aula com o professor que se coloca disponível para ouvir, conversar com o aluno e também com a turma, auxilia com atividades que façam com que a criança se sinta especial e amada pelos colegas como cartas, uma visita, mesmo que virtual.”, ressalta a diretora.

E o papel escolar não acaba com os alunos, existe a preocupação com a família. “Toda a administração escolar, especialmente a orientação educacional busca acolher a família com olhar diferenciado às necessidades socioemocionais da criança, inclusive quando dado abertura, auxílio na recuperação emocional dando algumas dicas como: tentar não reprimir o choro, deixar que a criança desabafe, sobre a importância de ter um adulto que o ouça, que o abrace. Assim como o adulto que também não precisa esconder sua dor diante dos filhos. Passar esse momento juntos, fortalece”, aponta Marizane sobre a importância de uma rede de apoio para a família.

No caso de perdas, é recomendado, na medida do possível, tentar manter a rotina da criança de antes da perda, trazendo segurança e talvez a indicação de profissionais que possam trabalhar questões de forma específica.

Foto: Divulgação

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