Honda desenvolve estrada que recarrega veículos em movimento e mira transporte pesado
Tecnologia será testada em rodovia japonesa em 2027 e poderá reduzir a necessidade de grandes baterias e de paradas para recarga de caminhões
Uma estrada capaz de recarregar veículos elétricos em movimento, sem cabos ou necessidade de paradas, começa a ganhar forma no Japão. A Honda desenvolve, em parceria com as empresas Taisei Corporation e Taisei Rotec, um sistema que transfere energia por indução por meio de equipamentos instalados sob o asfalto. A tecnologia, com potência de até 150 kW, será testada em condições reais de rodovia a partir de abril de 2027.
Embora os resultados divulgados até agora sobre a recarga em movimento se concentrem em automóveis, o projeto também mira o transporte pesado. A expectativa é que, futuramente, caminhões elétricos possam recuperar energia durante as viagens, reduzindo a dependência de grandes baterias e de paradas prolongadas.
José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), considera que a inovação abre uma perspectiva importante para a modernização do transporte rodoviário. “Durante muito tempo, a evolução tecnológica ficou concentrada no caminhão. Agora, a própria estrada começa a fazer parte dessa transformação. É uma mudança interessante porque permite pensar em veículos e infraestrutura funcionando juntos para tornar o transporte mais eficiente”, afirma.
O sistema utiliza bobinas instaladas sob o pavimento para transmitir eletricidade a receptores posicionados na parte inferior dos veículos. Nos testes iniciais com automóveis, a energia recebida nos trechos equipados superou o consumo necessário para mantê-los em movimento, permitindo também aumentar a carga da bateria.
A próxima fase prevê a instalação de módulos em um trecho experimental de 40 metros, em Fukushima, até março de 2027. A partir de abril, os testes avançarão para a Tateyama Expressway, na província de Chiba. Também estão previstas avaliações de resistência do pavimento com caminhões da classe de 40 toneladas, etapa necessária para verificar a viabilidade da infraestrutura para o transporte pesado.
Potencial para a logística brasileira
Para caminhões de longa distância, a possibilidade de receber energia durante o percurso poderia reduzir o tamanho das baterias, que acrescentam peso aos veículos e podem limitar sua capacidade de carga. A tecnologia também permitiria eletrificar trechos estratégicos das rodovias, sem necessidade de instalar equipamentos em toda a extensão das estradas.
No transporte de veículos zero-quilômetro, segmento que reúne mais de 5 mil profissionais representados pelo Sinaceg, os possíveis ganhos de autonomia e produtividade despertam interesse. A atividade depende de caminhões especializados, planejamento de rotas e cumprimento de prazos. “Cada viagem exige um equilíbrio entre autonomia, capacidade de carga e tempo de operação. Se essa tecnologia funcionar também para caminhões, poderemos ter uma alternativa interessante para aproveitar melhor os equipamentos e reduzir o tempo dedicado à recarga. É uma possibilidade que merece ser acompanhada de perto”, afirma Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg.
A aplicação comercial ainda depende de estudos sobre custos, fornecimento de eletricidade, durabilidade dos equipamentos e compatibilidade entre fabricantes. No Brasil, a experiência japonesa poderá contribuir para futuras discussões sobre infraestrutura rodoviária e transição energética do transporte de cargas.
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