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Governança estratégica e geração de valor

(*) João Roberto Benites

A atuação dos Conselhos de Administração vem passando por profundas transformações. Em um ambiente de negócios marcado por mudanças climáticas, avanços tecnológicos, instabilidade econômica e novas exigências regulatórias, a governança assume um papel cada vez mais estratégico. Nesse cenário, os conselheiros são chamados a contribuir de forma mais ativa para a construção de empresas resilientes, competitivas e preparadas para gerar valor de maneira consistente no longo prazo.

Por muitos anos, a agenda dos Conselhos esteve concentrada no acompanhamento do desempenho financeiro, na gestão de riscos e na adoção das boas práticas de governança. Esses fundamentos continuam essenciais, mas já não respondem sozinhos aos desafios atuais. A expectativa é de uma participação cada vez mais próxima nas decisões estratégicas, contribuindo para identificar oportunidades, antecipar riscos e estabelecer prioridades que ampliem a capacidade de adaptação das organizações.

Atualmente, a sustentabilidade ocupa uma posição central na estratégia empresarial. Não apenas sob a ótica ambiental, mas como um elemento que influencia competitividade, eficiência operacional, acesso a capital, inovação e gestão de riscos. Incorporar essa visão significa compreender que geração de valor e sustentabilidade caminham de forma integrada e devem orientar as decisões de longo prazo.

Essa mudança amplia o alcance da governança corporativa. Questões relacionadas à resiliência operacional, transição energética, segurança da cadeia de suprimentos, transformação digital, desenvolvimento de talentos e uso responsável da inteligência artificial deixam de ser temas específicos para compor a agenda permanente dos Conselhos.

Na minha atuação como conselheiro, procuro acompanhar de forma permanente a evolução dos mercados, das tecnologias e do ambiente regulatório. Decisões estratégicas exigem informação qualificada, visão sistêmica e capacidade de interpretar tendências que podem redefinir o posicionamento das empresas nos próximos anos. Tão importante quanto analisar os resultados atuais é avaliar a preparação da organização para responder aos desafios futuros.

As decisões tomadas hoje influenciam diretamente a capacidade da empresa de inovar, atrair investimentos, preservar sua reputação e responder com agilidade às transformações do mercado. O Conselho tem papel fundamental na construção da estratégia e na consolidação de uma visão de longo prazo.

A criação de valor sustentável passa, assim, a representar um modelo de gestão que integra desempenho econômico, responsabilidade corporativa e capacidade de adaptação. Organizações que conseguem antecipar riscos, identificar oportunidades e incorporar essas transformações ao planejamento fortalecem sua posição competitiva e ampliam sua atratividade para investidores.

João Roberto Benites –

Preside Conselhos de Administração de empresas familiares. Atua como Conselheiro Consultivo da Grant Thornton Brasil e do Hospital das Clínicas (SP). É conselheiro  certificado pelo IBGC, especialista em expansão estratégica de empresas.

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