Com prejuízo de R$ 323 milhões, Patriani busca se recuperar e manter entregas
Com reclamações em sites de defesa do consumidor, desconfiança por parte dos compradores de seus empreendimentos e cobrança de fornecedores e prestadores de serviço, a Construtora Patriani busca reverter o prejuízo registrado em 2025, de R$ 323,9 milhões, contra lucro de R$ 4,4 milhões em 2024 e sair da crise.
Entre as mudanças para a tentativa, está o retorno do fundador da empresa, Valter Patriani, ao comando, no lugar de seu filho Bruno Patriani. Em matéria publicada nesta quarta-feira pelo jornal Valor Econômico, Valter afirma que a situação é a pior crise enfrentada pela construtora.
Além dos compradores dos apartamentos, que questionam a falta de informação da situação das obras, os fornecedores também reclamam a falta de pagamento dos serviços prestados. Alguns, segundo o Valor, estão há oito meses sem receber.
Apesar de o setor apontar uma recuperação judicial como um dos próximos passos a ser tomado pela Patriani, Valter nega e afirma que não tomará a medida. “A empresa está em uma travessia, mas conseguindo superar”, ressaltou ao jornal. Ainda segundo a matéria do Valor Econômico, a construtora teria contratado uma consultoria para a realização de um diagnóstico para organizar a reestruturação.
Para tentar acompanhar os acontecimentos, os compradores do empreendimento Vista Campestre, em Santo André, criaram um grupo para trocar informações sobre obras e das informações passadas pela Patriani, já que no site da empresa a última atualização é de novembro de 2025. No grupo, foram informados que a obra passará por uma transição e a será transferida para outra construtora. Os clientes, neste caso, optaram por dar um voto de confiança, dando o prazo até julho para as informações corretas e só depois decidirem por um possível distrato.
A construtora aponta a alta das taxas de juros e que acelerou seus lançamentos acreditando que o país estava em boa situação. Hoje são 20 projetos em obras, sendo que 14 já estão sendo tocados por outras empresas após negociação com bancos credores. Segundo Valter para o Valor, as outras seis já estão em tratativas para serem repassadas, o que deve ocorrer até agosto deste ano.
Porém, apesar dos esforços, o executivo afirmou, na entrevista, que a Patriani não conseguirá cumprir todos os prazos de entrega e nem no limite de 180 dias de atraso. “Vamos resolver 75% das obras dentro do prazo.”
Os lançamentos da Patriani só devem voltar a ocorrer em 2027, mas como incorporadora. Dos 1.500 funcionários, ficarão apenas 50.
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