30 anos de domingos silenciados
Há 30 anos os domingos silenciaram, deixaram de ter uma motivação para sair da cama cedo. Ficar em casa com sol ou chuva até 01 de maio de 1994 era emoção garantida, sem ao menos precisar sair da frente da televisão.
Mas, uma curva temida pelos maiores corredores da época, uma barra de direção ajustada às pressas e um capacete com um pequeno ponto vulnerável tiraram a vida daquele que foi, e sempre será, o maior piloto de corridas.
Sem ele foram embora as corridas com muita chuva, as voltas sem câmbio ou sem freio e as ultrapassagens por pontos tidos como impossíveis. Sem falar na melhor volta de uma corrida, conquistada com um desvio por dentro dos boxes. Sim, Ayrton Senna fez tudo isso e muito mais.
Escolher um momento mais emocionante da carreira de Senna na Fórmula 1 não é fácil. Mas duas ficaram marcadas no coração dos brasileiros e na história do esporte, ambas em São Paulo. A primeira, em 1991, quando o piloto chegou exausto ao final, tendo sido atendido por médicos ainda antes de deixar o carro. A segunda, em 1993, parecia impossível, já que os carros dos concorrentes eram muitos superiores. Mesmo assim ele levou, com a ajuda da chuva que caiu na hora certa em Interlagos, e foi literalmente abraçado pelos fãs na pista.

Além destas, outras merecem ser destacadas. Em 1984, ainda na Toleman, ele não ganhou, mas quase. Debaixo de uma chuva torrencial em Mônaco, a corrida foi suspensa na hora que Senna iria ultrapassar o mais famoso dos rivais, Alan Prost. Esta foi a corrida que não terminou.
E na Espanha em 1986, em Jerez, foi de fazer parar o coração e a respiração. Senna venceu por uma diferença de 0,014 milésimos de segundo de Nigel Mansell. Foi um ufa geral. E quem não se lembra do GP de Detroit em 1986, quando, pela primeira vez, ele pegou a bandeira brasileira das mãos de um torcedor para comemorar a vitória. Foi um tipo de vingança, já que o Brasil havia sido eliminado da Copa do Mundo do México para a França e a maior parte dos mecânicos da Lotus (aquela preta e dourada maravilhosa) eram franceses.

O GP da Europa de 1993 não pode ser esquecido. Disputado em e Donington Park, na Inglaterra, era tido como um circuito sem pontos de ultrapassagem. Mas Senna descobriu pelo menos cinco. E todos estes pontos na primeira volta que até hoje, 31 anos depois, a melhor da história da Fórmula 1.O passeio de Senna pela pista debaixo de chuva foi tanto que ele colocou uma volta de vantagem em cima do terceiro colocado, Prost. Sem falar que a melhor volta também foi dele, e por dentro dos boxes.
Trinta anos depois tenho certeza de que quem vivia no Brasil em 1994 se lembra, com detalhes, o que fez naquele 01 de maio. Trinta anos depois, e os feitos de Senna continuam na lembrança e passando de geração em geração.
Foram 161 GPs disputados, 65 poles, 41 vitórias e 3 títulos mundiais. Depois de 1994, o Brasil nunca mais fez um campeão na modalidade. Neste ano a Netflix colocará no ar as série sobre o campeão.
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