Viagem de avião: medo e transtornos podem ser minimizados por mudanças de hábitos e conhecimento de informações

São Paulo, SP 24/6/2021 – Não há uma causa específica para a aerofobia, pois o medo geralmente se origina de uma combinação de fatores

De acordo com piloto, o medo de voar afeta cada pessoa de forma diferente e entender o motivo pode decidir a melhor maneira de vencê-lo

Apesar do avião ser um dos meios de transportes mais seguros do mundo, milhares de pessoas sofrem ao ter que fazer um embarque, segundo a pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística – IBOPE. De acordo com os dados, cerca de 30% da população mundial e 42% dos brasileiros têm receio de voar, com maior ou menor grau de intensidade variando entre o desconforto e a fobia (aerofobia). E de cada 5 passageiros, um precisou de alguma ajuda para conseguir acalmar e embarcar no voo.

Cidadãos que sofrem ao viajar de avião experimentam o nervosismo e a ansiedade antes e durante os voos, sentimentos atrelados ao espaço lotado, à turbulência e às sensações desagradáveis ao decolar e pousar, informa Leonardo Bruno Manganelli Ribeiro, graduado em Ciências Aeronáuticas pelo Instituto do Ar – Universidade Estácio de Sá – RJ. “Não há uma causa específica para a aerofobia, pois o medo geralmente se origina de uma combinação de fatores. Quanto mais tempo uma pessoa evita voar, mais esse medo pode aumentar”, explica Leonardo Manganelli.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial, as sensações normais de desconforto que podem ocorrer durante um voo são: falta de ar, ouvidos tampados, cansaço, ressecamento da pele, do nariz e da boca. Todas possuem explicações fisiológicas e podem ser minimizadas por meio de simples medidas de prevenção adotadas pelos próprios passageiros.

O processo ao viajar (fazer as malas, despedidas no aeroporto, pressão do tempo, conexões, posição sentada durante várias horas, etc.), Leonardo lembra que traz condições que podem produzir uma tensão emocional. A incerteza do que vai acontecer aflige e aguça o emocional, ocorrendo muitas vezes desistência, entre outros sintomas que podem surgir semanas antes do voo.

As estatísticas do IBOPE indicam que por volta de 10% das pessoas evitam voar por temor ou sentimentos de medo em relação a viajar de avião, e um adicional de 20% da população experimentou ansiedade substancial, chegando a pânico enquanto voavam. 

Conforme o piloto, o avião é o meio de transporte mais rápido e o mais seguro que existe e, ainda assim, há pessoas que deixam de fazer uma viagem (lazer ou trabalho) por se sentirem incapazes de entrar no avião. Nos casos em que conseguem embarcar, o esforço é tão grande que gera um desgaste físico e emocional intenso, que demora de um a dois dias para se recuperarem. Ele também observa que a volta para casa é até pior, pois o cidadão por medo e preocupação do regresso acaba por não desfrutar a estadia.

 “Aquilo que poderia ser dias de descanso, transformam-se rapidamente naquilo que as pessoas descrevem como um tormento que não compensa. Sempre tento repassar para os passageiros toda segurança que se tem em viajar, e que nenhuma outra forma de transporte é tão examinada, investigada e monitorada”, alega o Manganelli, que é Piloto Comandante de Linha Aérea – Embraer com experiência de 8.500 horas de voo.

O especialista diz que dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo indicam que para cada um milhão de aviões que decolam, menos de dois (1,6) apresentarão problemas no percurso. Ao embarcar, a chance de sofrer um acidente fatal é de uma em cada sete milhões, não importa se a pessoa voe uma vez a cada três anos ou todos os dias do ano. “É mais seguro viajar de avião do que mesmo de carro”, explana Manganelli, com cursos de Instrutor de Voo em Rota, Facilitador em CRM (Corporate Resource Management, Elemento Credenciado – Prevenção de Acidentes, entre outros.

O Brasil tem registrado menores números de acidentes com aviões e helicópteros desde 2010. Em 2019, foram 142 acidentes, com 58 mortes. Em 2010, ocorrem 129 acidentes e 55 mortes. Os dados fazem parte do painel Sipaer (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), divulgado pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

A indústria da aviação trabalha para mitigar as chances de acidentes, afirma o profissional, com treinamentos contínuos dos controladores de tráfego aéreo, companhias aéreas, pilotos, comissários de bordo, mecânicos, fabricantes, etc. E ele também dá algumas dicas de como reduzir a ansiedade antes e durante o voo. Entre elas estão a de reduzir ingestão de cafeína e açúcar, beber muita água ou sucos de frutas para evitar a desidratação do ar seco do avião, evitar bebidas alcoólicas antes ou durante o voo, escolher algo que vá entreter na viajem como livros, músicas e jogos, fazer alguns exercícios de contração e relaxamento ao se sentar e perguntar aos comissários de bordo sobre quaisquer sensações ou barulhos no avião que incomodar.

“Outra dica que ajuda é chegar ao aeroporto mais cedo e assistir à decolagem dos aviões para ter uma ideia dos movimentos que você pode esperar. Ao embarcar no avião, considere mencionar à tripulação e aos comissários de bordo que às vezes você fica com medo e quando a luz de atar os cintos estiver apagada, fique um pouco de pé e vá até o banheiro. Uma coisa que ajuda muito é mexer os dedos dos pés por 30 ou 50 segundos durante a decolagem, ou fazer 3 respirações profundas e calmantes. Espero que essas informações e dicas te deixem mais tranquilo para que possa desfrutar do passeio na sua próxima viagem de avião”, finaliza Leonardo Manganelli.

 

 

Website: http://www.linkedin.com/in/leonardomanganelli

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